Aurelian Sandulesco

Fazer sopa outra vez??? (versão: modo tradicional, com panela e fogão!)

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Comecemos por uma afirmação importante: adoro sopa! No Verão, no Inverno, toda passada, cheia de entulho, com batata, sem batata, ao almoço, ao jantar… Comer sopa aquece-me o corpo e a alma e dá aquela sensação de saciedade e prazer de quem comeu algo que colmatou uma fome que se estava a instalar. Estando este ponto bem assente, passo ao desabafo: fazer sopa é um bocado chato. No meu caso, por 2 grandes motivos: sou desajeitada e propensa a acidentes!

Começo pela base: descascar chuchu e curgete. A curgete é mais fácil…apenas tem aquela goma viscosa que tem de ser lavada antes de começar a cortar, senão escorrega por todos os lados! E claro que sempre que a tenho de arranjar é todo um malabarismo até a conseguir descascar por completo e ir lavar. Mas o pior é o chuchu… além de ter um outro tipo de goma que se pega às mãos e as deixa num tom acastanhado (o que implica um constante processo de lavagem entre cada chuchu), aquela pele rija, com aqueles sulcos pelo meio… sempre que estamos na época deles já sei que levo uma eternidade a fazer sopa! Se não os tivesse gratuitos da horta, juro que nunca na vida iria usar chuchus. São nutricionalmente maravilhosos, mas tão pouco “user friendly”. Há quem use luvas para lidar com eles, também já ouvi falar de descascar com faca e garfo… eu acabo por fazer da forma tradicional e lá vou rogando pragas à minha vida enquanto os descasco. Mas que os descasco…descasco!

A cenoura… é só comigo que saltam bocados de cenoura por todo o lado enquanto a parto?! Já tentei partir directamente para o tacho (saltam para o fogão!) e partir na tábua (saltam para a restante bancada e às vezes chão, o que me deixa danada!). Não há dia que faça sopa e que não ande a apanhar bocados de cenoura por ali à volta e a fazer mini lavagens após cada “apanha”.

Mas o pior é mesmo a abóbora. Eu e a abóbora já temos uma relação difícil. Porquê? Já me cortei uma data de vezes a arranjar abóbora! Como, perguntam vocês? Admito que deverá ser porque sou desajeitada…especialmente com a abóbora butternut. Já tentei cortá-la de diferentes formas para resolver o problema, tal como a cenoura. Hoje em dia adopto a estratégia de comprar a abóbora em fatias e cortá-la na tábua com muito jeitinho. Quase que levo mais tempo do que o maldito do chuchu, mas se me corto mais alguma vez a arranjar abóbora, alguém lá em casa irá passar-se comigo! Já ponderei não pôr abóbora na sopa, mas acho essa decisão demasiado extrema! Ela bem quer fazer cabidela de mim, mas eu não deixo! E não será um vegetal que irá decidir como faço a minha sopa, ora!

Por fim, e aqui entra a questão ser modo tradicional e não Robot de cozinha como muitos que estão na moda: a sujeira que faço no fogão. Dia de fazer sopa é sempre dia de lavar o fogão, sem escapar! É que para minimizar isto tudo, eu faço sopas enormes! Panelas tipo restaurante! Lá em casa comemos muita sopa e não estou para sofrer isto tudo com frequência. Então, acabo sempre por encher demasiado a panela e, quando está a ferver, lá vem sempre uma parte por fora. Claro que a triturar a base, acontece o mesmo. E não, não ponho água a mais. Ponho vegetais a mais! Por vezes até tenho logo de acrescentar água na fase de cozedura da base, porque mais parece um puré. Este é daqueles pontos inevitáveis da vida, como o nascer do sol e a cenoura que salta pela bancada! A sorte, é que acaba por ser relativamente fácil de resolver. Até porque o fogão tem sempre de se lavar, certo?

Aposto que nesta altura a pergunta que vos corre pela cabeça será: e ela ainda faz sopa?! Faço sim e vou continuar a fazer! Adoro as minhas sopas e todos estes dramas terminam quando como a minha tigela de sopa acabada de fazer. Aí surge um sorriso e toda uma amnésia “sopeira” até ela acabar e torno a dizer a mim mesma: Fazer sopa outra vez??

C.

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