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Fui ao supermercado com fome (e é sabido que isso nunca dá bom resultado!)

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Há algumas premissas na vida que são absolutamente verdade mas que tendemos a ignorar repetidamente. E ir ao supermercado com fome é uma delas. É mais do que sabido que ir às compras com um buraco na barriga se traduz num carrinho cheio de comida de conforto, suficiente para deixar a despensa a transbordar de pecado.

No outro dia, decidi desafiar esta lei universal e dei por mim a falar sozinha no carro “Só vais comprar o que precisas. Só vais comprar o que precisas. SÓ VAIS COMPRAR O QUE PRECISAS, ESTÁS A OUVIR?”. Estava a pregar a missa aos peixes… Não sei se vos acontece, mas há uma voz que fala comigo às vezes e que gosta de me desafiar. Com a minha pergunta a alto e bom som, ela decidiu retorquir com uma afirmação que me pareceu fazer muito sentido: “Se encheres o carrinho só de comida saudável não faz mal!”. E lá fui eu muito mais descontraída para o supermercado e a voz muito contente por me ter enganado.

Carrinho na mão, lista na cabeça (sim, que nem sempre dá para se ser assim tão organizado, ok?) e vamos lá dar início a esta aventura. A técnica é só passar nos corredores necessários e onde sabemos que as tentações não olham para nós – lá diz o ditado: olhos que não veem, coração que não sente. Eu consigo! A fome não é mais forte do que eu! Aliás, já passou tanto tempo desde a última vez que comi hoje que já nem tenho fome.

Normalmente começo sempre pela secção dos legumes e da fruta. Gosto de encher o carrinho com cores e com volume… O que é aquilo? Chocolates em promoção? Mesmo ao lado da fruta? Não vou olhar, não vou olhar. E eis que a voz se faz ouvir “Leva um preto e depois só comes um quadradinho por dia.”. Olha, esta voz sabe destas coisas. E no íntimo ela ri-se porque sabe que seja preto ou de leite não vai durar 10 minutos. Mas eu estou tão cega da fome que não tenho, que desenvolvo audição seletiva e por isso há partes do discurso da voz que estão em mute.

Passados uns cinco minutos, começo a sentir o cheirinho a pão quente e sou hipnotizada até à padaria que… fica mesmo colada à pastelaria. “Esta empanada de atum tem mesmo bom aspeto. E este croissant de brioche barrado com Nutella. E estas línguas de veado, têm ar de estaladiças.”. Não, não e não. Vou para o sector dos frios. Lá há iogurtes líquidos.

Para chegar a partes do supermercado onde estão coisas que preciso mesmo de levar, tenho de passar pelos corredores do demónio. Finalmente oiço a minha barriga a roncar e a refilar por comida. “Hum, estas bolachas são tão boas! E podias comer já no carro a caminho de casa.”. Neste momento a voz fez um pacto com o estômago, só pode! Já nem tenta ser dissimulada e engraçadinha. Ao que isto chegou! Quem manda aqui sou eu e por isso vamos para a caixa e assim que chegar a casa como. Mas quem é que me mandou não ter levado o lanche da tarde?!

Eis que me assola uma questão muito importante: o que é que vou fazer para o jantar? Para mim, esta pergunta tem sempre uma resposta perigosa quando não se come há horas e se está rodeado de comida: uma massa a nadar em natas, um bife com batatas fritas ou uma pizza pronta a meter no forno. Já não tenho cabeça para ementas elaboradas e começa o vale tudo. Está na hora de me ir embora antes que a coisa descambe.

Quando me dirijo para ir pagar, e porque há várias leis universais, na indecisão de qual a fila mais pequena, escolher a que demora mais tempo é o meu karma. Os meus olhos distraem-se com as cusquices das revistas e vão subindo até ao linear dos chocolates. Outra vez? Já está um no carrinho, que de certeza vai desaparecer em três tempos… Estômago, não, não queres mais. “Este é pequenino. Vá lá!”.

Depois de repor a energia em casa, começo a arrumar as compras. O que é isto? “Achavas que tinhas tudo sob controlo? Foste a todos os corredores que não devias, estavas à espera do quê? Vá, arruma todas essas açucarisses e gordurisses e para a próxima não vás às compras com fome!”.

T.

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