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A tarefa mais odiada: lavar alface!

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Cresci numa casa onde quase sempre havia salada à refeição. Saladas coloridas, com vários vegetais, com cebola, sem cebola, com orégãos, sem orégãos, … todas eram bem-vindas! No entanto, a alface era a base de praticamente todas as saladas. E era aquela tarefa à qual todos queríamos escapar. Mas inevitavelmente calhava-me a mim ou à minha mãe.

Após ter-me emancipado, quis manter o hábito das saladas à refeição, não só por ser saudável, mas porque realmente já era uma rotina. A maioria das refeições, sem salada não sabe ao mesmo! Falta aquele toque de frescura que só uma salada sabe dar. Mas aí a responsabilidade da lavagem iria recair ainda mais sobre mim. Logo eu que sempre odiei lavar alface! Só quem as lava com frequência é que perceberá o meu drama.

A temperatura da água

No Verão tudo bem…a água é fresca, até sabe bem. Agora, quem é que, no inverno, já quase congelou mãos para lavar meia dúzia de folhas de alface? Pois é… seja com a técnica do alguidar ou com água corrente, venha o diabo e escolha. Claro que acabo por tentar ao máximo não molhar mais do que a pontinha do dedo indicador e polegar, agarrar cada folhinha pela ponta que sai da água, abanar bem e está feito! Se utilizar a técnica da água corrente, é com o mínimo fio essencial de água. Mesmo assim, acabo a tarefa com as mãos geladas, vermelhas e quase em ponto de frieira.

Os seres que encontramos

A minha mãe tinha o hábito de me dizer que encontrar na salada insetos, minhocas e companhia, era muito bom sinal, sinal de que poucos aditivos tinham sido utilizados. É tudo muito bonito, mas agarrar numa folha e sentir algo “fofinho” na mão e encontrar a lagarta mais verde e mais gorda que já vi na minha vida, toda a contorcer-se…. Aahhhhhh que horror!!! Ou então abrir o saco e sair de lá uma aranha preta e peluda e tanto ela como eu fugimos pela nossa vida! Pior foi a vez em que me salta um gafanhoto e só não me acerta na cara porque tive reflexos de ninja medricas. Enfim… com isto, quase que ficou abalada a minha convicção acerca dos aditivos. Quase!! Desde que não saia de lá nenhuma vespa ou abelha, está ainda tudo bem.

Pagar quase 1€ por uma alface e comer metade

Regra da casa: as folhas de fora vão sempre para o lixo. Simples, não é? Isso era antigamente… hoje em dia as alfaces vêm tão amassadas e maltratadas que metade não se aproveita. Quando tem bicho ainda pior! Então inicia-se todo um processo cirúrgico de: “hum esta está mole”, “a lagarta comeu metade desta…vá, tiro esta parte à volta…”, “bem! que folha mais castanha… fora!”, e no final, temos 4 talos, 3folhas e aquele centro verdinho e crocante…que no total perfaz salada para uma pessoa! Opção… lavar mais 1 alface?! É que nem pensar!

Por todos estes motivos e mais alguns, resolvi começar a evitar a alface. Como a tarefa de ir às compras era minha, comecei a aderir mais à salada de tomate e pepino ou cenoura, couve-roxa e tomate, ou tomate e pimento, ou cenoura e couve, entre outras. Passei a conhecer todo um leque de outras saladas que antes eram mais raras. Tudo sem alface! E quase todas com tomate e cebola. Quem me viu e quem me vê. Se dissesse à “mini-eu” que fez birra com o arroz de tomate, que iria comer tomate com tanta frequência, ela nunca acreditaria. Outra estratégia adotada foi comprar alface já lavada. É verdade que na maioria das vezes sai mais caro, mas poupo trabalho, sustos e as minhas mãos! Sim, eu sei que não é só vantagens… tem prazo de validade curto e quando está perto do final, tenho de escolher as folhas que já não estão grande coisa e o preço que paguei fica outra vez aquém da quantidade que como. Também acabo sempre por lavá-la pelo sim, pelo não, que já ouvi histórias de alguma bicharia lá dentro. Mas…bem…se calhar… é melhor não pensar mais no assunto.

Para terminar, deixo um apelo. Pessoas da ciência: criem uma alface nutritiva, o mais natural possível, imune a insetos, que se possa lavar com água morna, que não se desperdice qualquer folha e que custe menos de 1€, pode ser?

Agradecida!

C.

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