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O dia em que fui ao RPM

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Penso que não sou a única pessoa que já passou por todas as fases motivacionais no ginásio: a fase em que andava meio baldas e a fase em que ia quase diariamente; a fase em que só fazia aulas, porque cardio/musculação era uma seca e a fase em que só fazia cardio/musculação, porque não me apetecia ir às aulas. De momento, estou num misto de tudo isto: pouca vontade de ir treinar, mas lá vou; cardio/musculação deixaram de ser uma seca e já me começa a apetecer fazer uma ou outra aulinha de vez em quando.

Com este espírito em mente, ao ver o novo mapa de aulas do meu ginásio, resolvi fazer algo que sempre disse que não faria: ir ao RPM. Porque é que sempre disse que não faria, perguntam vocês? Porque aquilo sempre me pareceu um bocado o inferno na forma de uma sala escura, muito quente, com muito som e muito suada. Com lasers pelo meio…. Nunca percebi a cena dos lasers nas aulas de Cycling, RPM e outras que tais, mas que os há quase sempre, há! Se alguém souber o porquê, por favor, partilhe. De certeza que não sou a única com esta dúvida.

Assim sendo e cheia de positivismo, lá me preparei para a estreia no RPM. Ténis: check! Toalha: check! Água: check! Já tinha visto malta a ir para esta aula e levam quase sempre uma almofadinha em formato de selim, mas não tinha. Não ia comprar para ir experimentar a aula. Também, de certeza que não era assim tão essencial. Enquanto espero para entrar na sala, apercebo-me que, realmente, a tal “almofadó-selim” é um essencial nas mãos do pessoal. Quem não tem, leva uma segunda toalha… começo a pensar que posso ter cometido um erro de principiante, mas já não havia nada a fazer.

Entro na aula e o professor explica-me tudo, ajeita-me o selim, o guiador (que ali não guia nada), os apoios dos pés e sei lá mais o quê, enquanto me explica tudo o que faz (que para mim só me soa a “bla bla bla whiskas saquetas”). E eu lá me sento, naquilo que deve ser a posição perfeita para o ciclismo, tendo em conta a quantidade de partes da bicicleta que foram personalizadas para este corpinho. Olho à minha volta e está tudo já a pedalar. “Vamos lá a isto…” penso eu e dou o primeiro arranque. Para quem já fez alguma aula destas, sabe que a bicicleta está com o mínimo de resistência, ao início da aula. Eu não sabia. Por isso, não só devo ter dado o arranque com mais vontade que aquela bicicleta já viu, que quase que efectivamente andou, como fiquei toda contente: “Isto vai ser fácil”.

Não foi. Foram 45minutos em que devo ter suado os 3L de água que já tinha bebido naquele dia, em que pensei mil vezes “mas isto não acaba???”, em que já sentia todos os ossos que existem no rabo, em que mandei o professor pra um sítio feio (mentalmente, claro), de cada vez que ele gritava “CAARGAAAAAA”. Ele que me perdoe, mas é a verdade. Obviamente que quando ele perguntava se estava tudo bem, eu fazia o meu sorriso amarelo nº 33 e respondia “sim, sim”. Não sei com que fôlego, mas respondia.

Olhando à minha volta, percebia que não era a única a morrer. Percebi também que há quem goste de ir lá morrer todas as semanas. Que apertam aquela rosca da resistência com pujança, levantam o rabo e sobem uma colina imaginária com vontade enquanto gritam “hey’s” e coisas do género. Uns gritos numa aula de combat percebo, mas ali não. Ali falar ou gritar é perder segundos de respiração essencial para não entrar em apneia.

Surpreendentemente, a aula terminou relativamente depressa. Sim, pensei várias vezes “mas isto não acaba”, mas acabou até antes de eu esperar. E eu tinha SOBREVIVIDO… Era uma resistente, uma lutadora, uma guerreira. Pelo menos era o que sentia naquele momento enquanto alongava e pensava “isto afinal não é assim tão mau”.

Tanto não é assim tão mau, que já lá voltei mais algumas vezes (com toalhinha extra, aquele selim não me lixa outra vez!). E é sempre a mesma montanha russa de emoções e pensamentos: “isto vai ser rápido”, “MAS ISTO NÃO ACABA?!” e “Já está! Boa!”. Porque na verdade é um treino eficaz em apenas 45minutos. Assim, com uma ligeira amnésia, lá faço esta aula com alguma frequência, mas sem gritar “hey’s” e sem ver a colina na minha cabeça. Isso não. Lamento.

C.

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