Pregnant woman touching abdomen

Para grávida, estás ótima!

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Apesar de ouvir esta frase muitas vezes, ainda me debato sobre o que querem dizer com ela. Quem a pronuncia denuncia aquele tom na voz que é um misto entre compaixão e mentira descarada. Depois, é olhar para a grávida e ver nos olhos dela uma mistura de alívio e tristeza – afinal estou ótima, só estou grávida!

O pânico de (quase) todas as grávidas

Sim, eu sei! Grávida sofre! E não, não estou a ser irónica! Passem por elas que saberão! Por isso, queridas grávidas, se se identificam com a descrição abaixo, usem os vossos superpoderes de quem carrega outro ser durante 9 meses para passarem pelos buracos da chuva do tão temido aumento excessivo de peso.

Normalmente a crise existencial começa quando passa um mês inteiro e eis que chega o dia da consulta! O horror para quem (bem lá no fundo) sabe que está tramado e vai ouvir do(a) médico(a) o “raspanete” merecido. Quando a grávida ouve as palavras “vamos subir para a balança”, é ver subir um nervoso miudinho pelas pernas acima e levantar da cadeira subitamente custa muito mais do que ver os pés para cortar as unhas ou subir vinte andares de escadas. Com a lentidão que o cérebro de grávida proporciona a qualquer mulher, começa um debate interno:

“É agora que se vai saber do gelado que comi todos os dias a seguir ao almoço, das chamuças e dos croquetes ao lanche e daquelas doses industriais de massa que me confortaram as noites, OMG, é AGORA! Pensa, pensa rápido. Podes culpar as pernas inchadas. Afinal ficam sempre uns trambolhos ao final do dia. É isso mesmo! Os 5kg que aumentei este mês são única e exclusivamente culpa dos líquidos! Ufa, estou safa!”

Eis que sobe um pé, e depois o outro, com vontade de deixar os calcanhares e uns quilinhos de fora. E não, não vale culpar a balança de ponteiros completamente descalibrada que (quase) todos os consultórios médicos têm. Afinal, a primeira pesagem foi ali, a segunda e a terceira também, e todas as outras serão. Deixem lá, se vos serve de conforto, as nossas balanças híper mega xpto também iriam acusar a mesma coisa. Simplesmente não vale comer por dois! Mesmo quando se quer fazer batota só porque ninguém está a ver. Mesmo com as hormonas loucas, que deveriam era estar internadas num hospício, e que usam aquela vozinha esquizofrénica que leva qualquer grávida a comportamentos bipolares.

Os outros… que adoram opinar

Por solidariedade com todas as grávidas que estejam desse lado, deixo uma mensagem. Pais, mães, avós, tios e amigos chegados: a gravidez pressupõe aumento de peso! Se acham que esse aumento está a ser excessivo, deixo-vos duas recomendações: primeiro, pensem muito bem antes de proferir qualquer frase e meçam todas as palavras; segundo, preparem-se para uma crise de riso, seguida de uma crise de choro, seguida de uma crise de pânico, seguida de uma crise de ódio, seguida de uma crise qualquer que, acreditem, a grávida vai sentir. Nestes momentos, o silêncio e sair de fininho são a vossa melhor opção.

Colegas do trabalho e pessoas que não se vêm há séculos e que se encontram na rua por mero acaso: abstenham-se de comentários deprimentes e maliciosos! Se acham que a grávida está “cheiinha” guardem para vocês essa informação. Caso contrário, arriscam-se a levar com um sorriso 33 ou com qualquer coisa que a grávida tenha à mão.

Grávidas deste mundo: vocês conseguem estar ótimas e grávidas ao mesmo tempo! Sintam-se com poder para dizer “Eu estou ótima e sim, estou grávida!”.

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