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Regras na cozinha: quem cozinha, não lava.

Tachos, escorredores, tábuas, travessas, facas e faquinhas, … olho à volta e só vejo loiça suja. O motivo: houve jantarada cá em casa.

Para mim, um dos grandes prazeres da vida é o convívio à mesa. Especialmente na minha mesa, pois cá em casa gostamos de receber e de cozinhar para amigos e família. Mas limpar e arrumar tudo a seguir, com pilhas e pilhas de loiça, a tarde e más horas… ninguém merece! Mas deixar acumular ou lavar no dia seguinte é ainda pior. Assim, surge sempre um duo de sentimentos quando se pondera fazer um jantar cá em casa: expectativa feliz pelo convívio e pitéu que iremos comer e sofrimento de antecipação pela loiça que virá. Mas o primeiro (infelizmente?) ganha sempre.

A preparação para uma jantarada começa sempre com “a ideia”, ou seja, uma resposta conjunta a estas 3 perguntas:

– Quem vem? Ou seja, quantos vêm. O número acaba por determinar bastante do planeamento e ideia final. Fazer risotto para mais de 4 pessoas é estar a preparar-se para comer papas de arroz e ver sorrisos amarelos enquanto dizem “está bom…”.

– Que tema? Jantar italiano, mexicano, asiático, … O tema pode estar limitado pela resposta à pergunta anterior. Apresentem um caril a malta com gastrites e outras “ites” intestinais e irão receber mil sms de lamentos no dia seguinte.

– Que receita(s)? Aqui costumam pesar os fatores tempo e custo. No meu caso começam a pesar os fatores cozinheiro e loiça! Porquê? Porque cá em casa há uma regra: quem cozinha não lava! E como geralmente a pilha de loiça após um destes eventos bate aos pontos o tempo e o prazer que se tem a cozinhar, ninguém quer ficar com esta tarefa.

Com este último facto, surge o dilema: como ultrapassar a dificuldade da loiça suja? O cozinheiro e o faxineiro não podem ser sempre os mesmos, certo? Assim, optamos ou por intervalar ou por dividir as tarefas. Mas mesmo assim… Será que não há solução? Deixar o convívio está fora de questão. Ser sempre na casa dos outros, também! Há quem diga que a máquina de lavar loiça resolve tudo, mas eu tenho e hei-de sempre ter a voz da minha mãe na minha cabeça a dizer: “na máquina só se mete a loiça da mesa”, ou seja, copos, talheres e pratos, … Mas tachos, panelas, travessas, escorredores, facas, … nem pensar!! Porquê? Nunca percebi. Mas foram muitos anos de lavagem cerebral que são difíceis de ultrapassar. Assim, sobra-me uma opção: loiça em versão plástico. Mas, vou pôr um belo arroz de marisco, uma fantástica lasanha de salmão, um rolo de carne delicioso ou um crumble de maçã quentinho, num prato de plástico?! É que nem pensar! Além de que isso não resolve a loiça “grande” que continua por lavar e não é nada ecológico ou sustentável, por isso, nem é opção! Há uma última e radical escolha… comer sempre fora. Mas aí, a carteira é que leva uma limpeza!

Conclusão? Não há solução. É planear bem o jantar, fazê-lo com gosto, comê-lo com prazer e tudo isto num pensamento de inocência e negação de “ah, até é pouca loiça para lavar”. Quando chegar a altura, logo se sofre o que há a sofrer. E repete-se tudo, com um sorriso, para a próxima!

C.

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Os “sopeiros”, os “canjeiros” e os simplesmente gulosos

Colocar o adjetivo guloso na mesma categoria que os adjetivos para os amantes de sopa pode parecer estranho à primeira vista mas prometo que encontrará a resposta.

Também pode parecer estranho estar a escrever sobre sopa com o calor que se faz sentir, em vez de escrever sobre saladas ou batidos. Como já se devem ter apercebido, cada Nutricionista tem as suas manias (para não dizer pancas aos olhos do comum mortal!). E uma das minhas manias é que sopa, só porque é quente, não tem que deixar de ser comida no Verão. Eu sei, eu sei. Os nomes das pessoas que não concordam comigo poderiam ser escritos em rolos de cozinha que esticados chegavam à Lua e voltavam. Mas pronto, cada um é como cada qual e por isso aqui estou eu, a escrever sobre os amantes da sopa saudável e os amantes assim-assim.

Os “sopeiros”

Estes são os verdadeiros amantes de sopa (saudável)! Esteja calor ou esteja frio, tenham muita ou pouca fome, refeição principal que se preze, tem de começar com uma avultada tigela de sopa. Experimente dizer a este grupo que está muito calor para comer sopa. São cá dos meus! Raramente torcem o nariz para a sopa que lhes põem à frente. Gostam de tudo. E quando não gostam de algum legume, usam a varinha mágica e disfarçado no meio dos outros lá se come.

No entanto, dentro dos “sopeiros” reside o sub-sub-sub-sub grupo “sopeiros mas com conduto”, quase inexistente, que acham que sopa tem de ter conduto e ser capaz de alimentar um exército: batata, massinhas, arroz, feijão (muito feijão), chouriço ou toucinho. Mas conheço poucos. Seguramente que não se vai deparar com eles facilmente.

Os “canjeiros”

Para este grupo, uma canjinha cura todos os males. Nada como um caldo de galinha, com alguma (pouca!!!) gordura da pele, arroz ou massa. E os que adicionam miudezas ou ovos de codorniz é que sabem o que é bom nesta vida.

Para ajudar à festa, os miúdos adoram e as escolas aproveitam-se da canja para os pôr a comer sopa. Quem diz aos “canjeiros” que canja não é sopa, normalmente arranja um grande trinta e um.

Os simplesmente gulosos

Pelam-se por encontrar membros do sub-sub-sub-sub grupo dos “sopeiros mas com conduto”, defendem com unhas e dentes os “canjeiros” e, para além disso, adoram cremes… com um toque aveludado de natas ou manteiga. Eles é que sabem e estão muito à frente. Tantas receitas boas de cremes frios para se comer no Verão. Qual Gaspacho qual quê!

Para os amantes de sopa assim-assim, sopa não é sinónimo de light. Sopa não é fonte de fibra. Sopa não é forma de hidratar. Sopa não é só legumes. Sopa tem de ter requinte e sabor. Mas tiro-lhes o chapéu, se ao menos comerem a sua versão de sopa no Verão.

T.

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Juro que vou amanhã… hum… não, o melhor é ir já hoje!

Já o disse aqui a repito: sou praticante de ginásio há muitos anos. No entanto, admito: não gosto de fazer exercício físico qualquer que seja, especialmente por obrigação! Uma coisa é estar inserido numa qualquer atividade gira, outra é fazer porque “tenho de fazer exercício físico”. Não gosto de correr, muito menos bicicleta estática, desportos de equipa também já não são para mim, bem como aulas de grupo. Mas… treino regularmente há uns 8 ou 9 anos. Porquê? Porque tem de ser! Já dizia um treinador que tive “não me interessa se gostas, interessa-me se consegues”. E eu consigo, faz-me bem e, acima de tudo, preciso para me manter saudável.

No entanto, de vez em quando, acontecem imprevistos. E é nesses momentos que o meu lado da preguiça e do facilitismo vêm ao de cima! “Hoje não dá! Mas vais amanhã… sem falta!” Geralmente, este pensamento é acompanhado de uma lista mental de todos os motivos e razões pelas quais não posso mesmo ir hoje. E aqui existem dois cenários possíveis: 1. Cedo ao pensamento e acabo por ir para casa, com o que me parecem 2kg de culpa a mais; 2. Consigo contradizer este pensamento e arranjo forma de ir na mesma.

Cenário 1. Um sofá chamado “culpa”

Há (quase) sempre forma de contornar os imprevistos e ir treinar. E eu sei disso. Então, quando decido ignorar essa lógica e acabo por ir para casa, parece que estou a cometer um crime! Em qualquer conversa que envolva o tema exercício, dou por mim a confessar que hoje não fui, mas com bons motivos, quando nem sequer me perguntaram nada (não vá aparecer de repente um polícia em leggins e t-shirt com alguma sanção de mil agachamentos); se tenho fome, penso logo “não tens direito a comer nada fora do suposto”, coisa que até nem ia fazer, mas que aí me fica a apetecer imenso, porque me lembrei (ridículo!!). O pior é se acabo por arranjar tempo para estar um pouco no sofá… aí surge logo aquele pensamento “afinal tinhas conseguido ir treinar…”. Aqui, os 2kg de culpa parecem 2 toneladas. Tudo isto agrava-se quando já não treino há dois dias ou mais (geralmente treino dia sim, dia não)! Toda a culpa aumenta exponencialmente, pois já é “preguicite” aguda e continuada.

Cenário 2. Uma elíptica de seu nome “sacrifício”

Este segundo cenário parece muito melhor, certo? O pensamento preguiçoso surge, é ultrapassado, vou treinar na mesma e sinto-me pronta para outra, não é? Não!! Lamento, mas sou aquele tipo de pessoa que quando não apetece, não apetece. Consigo lutar contra isso, mas não consigo que me passe a apetecer. Assim, arrasto-me até ao ginásio, visto-me contrariada, vou para a sala de treino desgostosa, subo para a elíptica desalentada e começo o treino. Parece que os minutos não passam, que tenho menos resistência, que toda a gente tem um ar tão feliz num dia (para mim) tão “triste” e devo parecer um autêntico velho rezingão e molenga. Arrasto-me para todas as máquinas, fico de mau humor se não tenho logo disponível o material que preciso e coitado do professor que me pergunta se está tudo bem! Sai o “tudo bem, obrigado” mais seco que já ouviram na vida. Mas…a verdade é que faço o treino todo! A custo, de mau humor e com sacrifício (mais mental, do que físico), mas faço o treino todo! Quando vou para o balneário, o mau humor passa, a birra também e fica aquele sentimento de “ainda bem que vim!”. O velho rezingão fica no cacifo e vou cansada, mas melhor humorada para casa. Não feliz… mas melhor humorada!

Por isso, se vos acontece o mesmo, em caso de dúvida, vão treinar! Mesmo que seja pouco tempo, a “meio gás” e de mau humor, fazem a vossa parte e cumprem com aquela obrigação que definiram com vocês mesmos!

Acima de tudo, dão um chuto na culpa e só por aí, quem é que não fica muito mais feliz?

C.

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Nunca mais passa o Sr. das Bolas de Berlim

Se há clássico que persiste ao longo das gerações é o Sr. que apregoa a chegada das bolas de Berlim, percorrendo os areais todos os dias, até ao final do Verão. Houve em tempos tentativas, que evocaram o bem da saúde pública, para acabar com o delicioso creme das bolinhas que passeavam o dia inteiro nos cestos dos vendedores. Nessa altura, parecia um ataque coordenado de seres extraterrestres que nunca tiveram infância ou experienciaram um episódio de uma valente dor de barriga que acarretou traumas para a vida. Passando uma estação à frente, também as castanhas passaram as suas dificuldades, pois deixaram de poder ser confortavelmente embrulhadas em folhas de jornais. Não me interpretem mal, enquanto Nutricionista tenho que ser pró-higiene alimentar e sou-o. Mas do que me lembro, nunca ninguém deu o alerta sos por comer uma bola de Berlim com creme na praia nem por comer castanhas servidas no jornal.

Por ser tão amada, a bola de Berlim conseguiu a proeza de reverter as questões cremosas a seu favor. Benditos aqueles que enviaram reclamações a pedirem o seu retorno. Eu poderia fazer parte desse grupo, não fosse a posição que ocupo, que moralmente me obriga a dizer “Creme pasteleiro é para ser refrigerado e fritos fazem mal à saúde”.

Com a chegada do calor, as idas à praia tornam-se “o” plano prioritário (este ano meio comprometido com “Portugal joga hoje, temos que sair dez horas antes para não apanhar trânsito e garantir que vemos o jogo”). Se há estação que eu gosto é do Verão! Adoro acordar cedo com a luz a entrar no quarto, organizar a minha lancheira ultra-mega saudável, levar o guarda-sol e a cadeirinha, ir para uma praia deserta fora das horas cancerígenas e devorar um livro sem ser interrompida.

Esperem! Estou a sonhar (ou a delirar!). Basicamente o que acontece é que a casa fica fechada tipo convento sem nesga de luz, acordamos tardíssimo, ficamos horas no trânsito, chegamos à praia em plena hora de “não põe o pé na areia que queima”, o cão ocupa o chapéu todo ou acha que a minha toalha também é dele e não consigo ler uma frase sem quererem ter discussões filosóficas da última contratação da bola. A única coisa que me safa é que, nem que caia o Carmo e a Trindade, quem manda na lancheira sou eu (também tinha que conseguir mandar em alguma coisa!): fruta variada, salada fresca, ovo cozido e água, muita água para hidratar a tosta. Esperem! Estou a sonhar (ou a delirar!). Afinal só mando na minha lancheira. Há quem leve sandes de queijo, zero % legumes e zero % fruta. Lá diz o ditado “em casa de nutricionista, foge da sua vista”.

No meio disto tudo, enquanto me delicio com a minha saladinha começo a ouvir “Bolinhas fresquinhas!”. Bom bom, é come-las no final do dia de praia, após um banho refrescante, por isso finjo que tenho tampões nos ouvidos e não cedo à tentação.

São quatro e meia e anseio por ouvir o apregoar que faz a vida ter mais sentido quando se está na praia. Mesmo à beira-mar, temos que ter olhos nas costas e ouvidos de tísico. Vão por mim. A esta hora, se estivermos plantados numa extremidade da praia, o cesto já não chega cheio à nossa toalha.

Enquanto a bola não chega e a fome aperta, decido comer uma fruta e mentalmente começo a fazer cálculos matemáticos de calorias versus prazer (desculpem, mas é inevitável, colocaram-nos um chip com a tabela dos alimentos, houve um erro de formatação e o on está sempre ligado). “Posso sempre pedir uma bola sem creme. Posso sempre deixar para amanhã. Sim, é mesmo isso. Tenho o verão inteiro para comer uma, não preciso começar já hoje a intoxicar-me.”

Eis que oiço as palavras mágicas: “Bolinhas fresquinhassss! Acabadinhas de fazer!”. Corro como se tivesse chegado o meu salvador, compro uma cheia de creme, sento-me na toalha virada para o mar, sacudo o açúcar (toda a gente sabe que o açúcar faz mal!), dou uma trinca e penso “Ainda bem que os extraterrestres não foram bem-sucedidos.”

T.

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Hoje podemos jantar vegetariano?

Sou e sempre fui uma aventureira gastronómica. Seja algo de outro país, com ingredientes que não conheço e alguns que nem consiga soletrar, eu provo sempre. Se gostar, ótimo, tragam mais! Se não gostar, ao menos já provei. Ainda, sou “boa boca”, pois gosto de tudo: carne, peixe, vegetais, fruta, … ouvirem-me a reclamar acerca de comida é raro. Deste modo, quando na minha adolescência a minha mãe quis cozinhar algumas experiências vegetarianas, fui (quase a única) apoiante. Na altura gostei, apoiei e, ao sair de casa dos pais e passar a ser uma das cozinheiras de minha casa, também aderi.

Respeito e aceito todas as razões que levam alguém a optar pelo vegetarianismo, sejam elas ambientais, de saúde ou de princípio. No meu caso é apenas para variar as refeições, para reduzir o consumo de carne (que é mais comum que o peixe, infelizmente) e, especialmente, para “desenrascar” alguns dias em que não deixei carne ou peixe a descongelar e não tive paciência para ir ao supermercado. Ainda, desde que fui apresentada a um restaurante vegetariano maravilhoso e barato recomendado por uma amiga (não posso fazer publicidade, perdoem-me!), estou fã! Mas… sou só eu. Convencer família e alguns amigos de que é realmente bom, ficamos realmente saciados e que não é “dieta”, não é fácil! E sim, não é “dieta”. Especialmente num restaurante, o que mais acontece é serem receitas vegetarianas e macrobióticas com excesso de gordura, não se iludam.

Quando, lá em casa, decidi fazer algo vegetariano pela primeira vez, optei por uma simples bolonhesa de soja. Como já esperava uma “torcidela de nariz” à notícia, fiz jogo sujo:

– “O que é o jantar?”

– “Peixe cozido.”

– “A sério? Não me apetece mesmo nada…”

– “Óptimo. Porque fiz bolonhesa de soja”

– “Ah ok…”

E pronto, assim a bolonhesa de soja já era uma excelente opção! Uma boa e inocente manipulação nunca fez mal a ninguém e pode facilitar a vida à cozinheira. Claro que após a prova, o prato ficou aprovado. É sempre assim! Reclamam da ideia, chateiam a cabeça, mas depois até gostam e, no final, sai-lhes o “afinal podes fazer isto mais vezes”. Não vale a pena comentar certo?

O pior foi o dia em que sugeri irmos ao tal restaurante. Foi todo um caminho de “piadolas”….

“Há alguma hamburgaria aqui para irmos a seguir?”

“Se me enganar e pedir 1 bife, achas que eles têm?”

“O chouriço deles também é de soja?” (sim… esta tem conotação sexual….)

Estas e outras foram-me moendo a cabeça até lá chegarmos. Entrámos, pedimos, comemos e no final, vem o clássico “isto até é bom!”. Mais uma vez, não vou comentar, até porque desta vez inclui um palavrão. O melhor disto tudo é que não só a refeição foi aprovada, como a saciedade durou até mais de meio da tarde! Qual bife, qual quê! Uma boa dose de fibra promove um efeito semelhante.

Por isso, para quem está numa luta semelhante à minha, deixo o meu apoio. Para quem está a ser o responsável pela necessidade da luta e que mói a cabeça a quem faz a sugestão vegetariana, deixem-se de coisas! Têm medo de uma couve ou quê?

C.

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Esta aberta a época dos casamentos

Pois é, chegaram os dias longos de sol e calor, as noivas de Santo António e os fins-de-semana preenchidos com celebrações casamenteiras. Está literalmente aberta a época dos casamentos. E dos comes. E dos bebes. E da desgraça – a nossa, não a alheia.

Se quem casa acha que a logística está toda do lado da organização do evento, desengane-se. Ser-se convidado também implica gerir a vida em muitas áreas, a começar por preparar o corpo para caber naquele vestido que temos há anos no armário ou que vimos na montra, 2 números abaixo do que normalmente vestimos mas que metemos na cabeça que tem que nos servir daqui a 1 mês. E de quem é a culpa de só termos 1 mês para tal preparação? Dos noivos, que se atrasam sempre na entrega do convite!

Os homens que me perdoem, porque só têm que escolher a gravata e essa tarefa é muito fácil. Vá, ok, ter que nos ver experimentar o roupeiro todo e passar um dia enfiados num shopping também cheira a tortura e estou solidária com o vosso sofrimento. No fundo, tenho inveja da vossa descontração nos casamentos. Só precisam de saber a data, o local, a hora, que a cerimónia dura menos de meia hora e que conhecem alguém na vossa mesa. Há comida, há bebida, “está-se bem”.

Outro ponto que obriga a extrema coordenação é a logística do dia D. Em primeiro lugar, os noivos escolhem horas que não nos permitem dormir até tarde para estarmos bem descansados para a festa e, em segundo lugar, locais que nos obrigam a fazer quilómetros e a passar fome (sim, leram bem!). Claro que para quem só tem que acordar, tomar banho, por um fato e uma gravata é fácil. Mas para quem tem que arranjar o cabelo, as unhas, maquilhar-se, mudar toda a indumentária escolhida porque resolveu chover e as sandálias abertas já não servem e o vestido não fica bem com os novos sapatos, um casamento à hora de almoço, queridos noivos, é chato! Porque na hora em que saio de casa fico esfomeada só de pensar que só vão começar a servir o cocktail lá para as cinco da tarde… E uma mulher com fome e de saltos altos… também cheira a tortura, volto a estar solidária com o género masculino (que é quem nos atura)!

Normalmente nos casamentos encontro três tipos de pessoas: os que se andaram a poupar para comerem tudo o que lhes apetece, os que ficam em pânico porque não podem (não devem) comer metade do que é servido e os que ficam cheios só de olhar para tanta comida. Como devem imaginar, não pratico nem concordo com a opção número 1 (mas cá em casa há quem ache essa estratégia fantástica) mas após horas sem comer, garanto um lugar cativo em frente à mesa com os melhores croquetes, empadas, carnes frias, pão e afins. Quem é que inventou o conceito de malas mínimas onde não cabe nem uma barra de cereais? E quem é disse aos senhores que as vossas carteiras e telemóveis têm que ter espaço na nossa mini mini mala em prol da nossa dose de açúcar? Estão a ver noivos, ainda agora começou o vosso casamento e já me apetece dar cartão vermelho a quem se aproximar a mais de 5 metros do lugar que eu conquistei na mesa e que ouse roubar a última chamuça do prato.

O que sempre me deixa estupefacta é que depois de uma eternidade sem acesso à bela da comida, somos bombardeados com horas seguidas sentados a disfrutar das iguarias casamenteiras. Uma estratégia nada inteligente porque, uma pessoa já teve que atacar o buffet inicial e já não cabe mais nada! No entanto, os poupadinhos conseguem, incrivelmente, ter espaço de armazenamento e fazem várias piscinas às mesas dos queijos e dos doces após a sobremesa ser servida. O sorriso deles diz tudo: não comi durante 1 mês, consegui vestir esta bela roupinha e agora vou comer até rebolar. Estão a ver queridos noivos, vocês são os responsáveis pelos vossos familiares e amigos primeiro passarem fome e depois engordarem como quem enche balões com uma bomba de ar para bicicletas.

Após a overdose de comida, acabo por apostar tudo na dança. Uma noite a dançar, para além de divertido, tem que “desmoer” as calorias a mais. Mas acaba é por arranjar espaço para o caldo verde com broa e para a bifana no pão. Desisto.

Está aberta a época dos casamentos. E das desgraças. Casem e sejam felizes!

T.

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A tarefa mais odiada: lavar alface!

Cresci numa casa onde quase sempre havia salada à refeição. Saladas coloridas, com vários vegetais, com cebola, sem cebola, com orégãos, sem orégãos, … todas eram bem-vindas! No entanto, a alface era a base de praticamente todas as saladas. E era aquela tarefa à qual todos queríamos escapar. Mas inevitavelmente calhava-me a mim ou à minha mãe.

Após ter-me emancipado, quis manter o hábito das saladas à refeição, não só por ser saudável, mas porque realmente já era uma rotina. A maioria das refeições, sem salada não sabe ao mesmo! Falta aquele toque de frescura que só uma salada sabe dar. Mas aí a responsabilidade da lavagem iria recair ainda mais sobre mim. Logo eu que sempre odiei lavar alface! Só quem as lava com frequência é que perceberá o meu drama.

A temperatura da água

No Verão tudo bem…a água é fresca, até sabe bem. Agora, quem é que, no inverno, já quase congelou mãos para lavar meia dúzia de folhas de alface? Pois é… seja com a técnica do alguidar ou com água corrente, venha o diabo e escolha. Claro que acabo por tentar ao máximo não molhar mais do que a pontinha do dedo indicador e polegar, agarrar cada folhinha pela ponta que sai da água, abanar bem e está feito! Se utilizar a técnica da água corrente, é com o mínimo fio essencial de água. Mesmo assim, acabo a tarefa com as mãos geladas, vermelhas e quase em ponto de frieira.

Os seres que encontramos

A minha mãe tinha o hábito de me dizer que encontrar na salada insetos, minhocas e companhia, era muito bom sinal, sinal de que poucos aditivos tinham sido utilizados. É tudo muito bonito, mas agarrar numa folha e sentir algo “fofinho” na mão e encontrar a lagarta mais verde e mais gorda que já vi na minha vida, toda a contorcer-se…. Aahhhhhh que horror!!! Ou então abrir o saco e sair de lá uma aranha preta e peluda e tanto ela como eu fugimos pela nossa vida! Pior foi a vez em que me salta um gafanhoto e só não me acerta na cara porque tive reflexos de ninja medricas. Enfim… com isto, quase que ficou abalada a minha convicção acerca dos aditivos. Quase!! Desde que não saia de lá nenhuma vespa ou abelha, está ainda tudo bem.

Pagar quase 1€ por uma alface e comer metade

Regra da casa: as folhas de fora vão sempre para o lixo. Simples, não é? Isso era antigamente… hoje em dia as alfaces vêm tão amassadas e maltratadas que metade não se aproveita. Quando tem bicho ainda pior! Então inicia-se todo um processo cirúrgico de: “hum esta está mole”, “a lagarta comeu metade desta…vá, tiro esta parte à volta…”, “bem! que folha mais castanha… fora!”, e no final, temos 4 talos, 3folhas e aquele centro verdinho e crocante…que no total perfaz salada para uma pessoa! Opção… lavar mais 1 alface?! É que nem pensar!

Por todos estes motivos e mais alguns, resolvi começar a evitar a alface. Como a tarefa de ir às compras era minha, comecei a aderir mais à salada de tomate e pepino ou cenoura, couve-roxa e tomate, ou tomate e pimento, ou cenoura e couve, entre outras. Passei a conhecer todo um leque de outras saladas que antes eram mais raras. Tudo sem alface! E quase todas com tomate e cebola. Quem me viu e quem me vê. Se dissesse à “mini-eu” que fez birra com o arroz de tomate, que iria comer tomate com tanta frequência, ela nunca acreditaria. Outra estratégia adotada foi comprar alface já lavada. É verdade que na maioria das vezes sai mais caro, mas poupo trabalho, sustos e as minhas mãos! Sim, eu sei que não é só vantagens… tem prazo de validade curto e quando está perto do final, tenho de escolher as folhas que já não estão grande coisa e o preço que paguei fica outra vez aquém da quantidade que como. Também acabo sempre por lavá-la pelo sim, pelo não, que já ouvi histórias de alguma bicharia lá dentro. Mas…bem…se calhar… é melhor não pensar mais no assunto.

Para terminar, deixo um apelo. Pessoas da ciência: criem uma alface nutritiva, o mais natural possível, imune a insetos, que se possa lavar com água morna, que não se desperdice qualquer folha e que custe menos de 1€, pode ser?

Agradecida!

C.

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Fui ao supermercado com fome (e é sabido que isso nunca dá bom resultado!)

 

Há algumas premissas na vida que são absolutamente verdade mas que tendemos a ignorar repetidamente. E ir ao supermercado com fome é uma delas. É mais do que sabido que ir às compras com um buraco na barriga se traduz num carrinho cheio de comida de conforto, suficiente para deixar a despensa a transbordar de pecado.

No outro dia, decidi desafiar esta lei universal e dei por mim a falar sozinha no carro “Só vais comprar o que precisas. Só vais comprar o que precisas. SÓ VAIS COMPRAR O QUE PRECISAS, ESTÁS A OUVIR?”. Estava a pregar a missa aos peixes… Não sei se vos acontece, mas há uma voz que fala comigo às vezes e que gosta de me desafiar. Com a minha pergunta a alto e bom som, ela decidiu retorquir com uma afirmação que me pareceu fazer muito sentido: “Se encheres o carrinho só de comida saudável não faz mal!”. E lá fui eu muito mais descontraída para o supermercado e a voz muito contente por me ter enganado.

Carrinho na mão, lista na cabeça (sim, que nem sempre dá para se ser assim tão organizado, ok?) e vamos lá dar início a esta aventura. A técnica é só passar nos corredores necessários e onde sabemos que as tentações não olham para nós – lá diz o ditado: olhos que não veem, coração que não sente. Eu consigo! A fome não é mais forte do que eu! Aliás, já passou tanto tempo desde a última vez que comi hoje que já nem tenho fome.

Normalmente começo sempre pela secção dos legumes e da fruta. Gosto de encher o carrinho com cores e com volume… O que é aquilo? Chocolates em promoção? Mesmo ao lado da fruta? Não vou olhar, não vou olhar. E eis que a voz se faz ouvir “Leva um preto e depois só comes um quadradinho por dia.”. Olha, esta voz sabe destas coisas. E no íntimo ela ri-se porque sabe que seja preto ou de leite não vai durar 10 minutos. Mas eu estou tão cega da fome que não tenho, que desenvolvo audição seletiva e por isso há partes do discurso da voz que estão em mute.

Passados uns cinco minutos, começo a sentir o cheirinho a pão quente e sou hipnotizada até à padaria que… fica mesmo colada à pastelaria. “Esta empanada de atum tem mesmo bom aspeto. E este croissant de brioche barrado com Nutella. E estas línguas de veado, têm ar de estaladiças.”. Não, não e não. Vou para o sector dos frios. Lá há iogurtes líquidos.

Para chegar a partes do supermercado onde estão coisas que preciso mesmo de levar, tenho de passar pelos corredores do demónio. Finalmente oiço a minha barriga a roncar e a refilar por comida. “Hum, estas bolachas são tão boas! E podias comer já no carro a caminho de casa.”. Neste momento a voz fez um pacto com o estômago, só pode! Já nem tenta ser dissimulada e engraçadinha. Ao que isto chegou! Quem manda aqui sou eu e por isso vamos para a caixa e assim que chegar a casa como. Mas quem é que me mandou não ter levado o lanche da tarde?!

Eis que me assola uma questão muito importante: o que é que vou fazer para o jantar? Para mim, esta pergunta tem sempre uma resposta perigosa quando não se come há horas e se está rodeado de comida: uma massa a nadar em natas, um bife com batatas fritas ou uma pizza pronta a meter no forno. Já não tenho cabeça para ementas elaboradas e começa o vale tudo. Está na hora de me ir embora antes que a coisa descambe.

Quando me dirijo para ir pagar, e porque há várias leis universais, na indecisão de qual a fila mais pequena, escolher a que demora mais tempo é o meu karma. Os meus olhos distraem-se com as cusquices das revistas e vão subindo até ao linear dos chocolates. Outra vez? Já está um no carrinho, que de certeza vai desaparecer em três tempos… Estômago, não, não queres mais. “Este é pequenino. Vá lá!”.

Depois de repor a energia em casa, começo a arrumar as compras. O que é isto? “Achavas que tinhas tudo sob controlo? Foste a todos os corredores que não devias, estavas à espera do quê? Vá, arruma todas essas açucarisses e gordurisses e para a próxima não vás às compras com fome!”.

T.

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O drama, o horror, … A compra do primeiro bikini do ano!

Todos adoramos dias de sol, especialmente os primeiros. Quando ele apareceu em força e esplendor agora no início de Maio, foi a alegria generalizada. Famílias nos parques, amigos na esplanada, havaiana no pé. Comigo, foi igual… até ouvir aquela frase fantástica: “se calhar no fim-de-semana vamos à praia!”. Estragou tudo!

O primeiro dia de praia custa sempre. Mas a compra do primeiro bikini é a verdadeira tortura. Porquê? Porque nesta fase ainda ninguém está com o corpo exatamente no ponto em que quer para o Verão, além de que estamos com a tonalidade de pele de uma lula. Com este último facto, vem um adicional: notam-se todos os pormenores menos positivos do corpo, que admitamos, muitos ou poucos, todos os temos! A piorar, estes pormenores são agravados nos provadores das lojas. Mas quanto a esse mundo à parte que são os provadores e sua luz infernal, falarei noutra Garfada. Merece um desabafo por si só.

Habitualmente tenho sempre dois ou três bikinis, que vou trocando peças entre si. No entanto, de um ano para o outro há sempre um e por vezes dois, que precisam de reforma. Deste modo, a compra anual de pelo menos um bikini é quase obrigatória, já que usar o mesmo bikini o verão inteiro é quase crime, nunca percebi bem porquê. É uma regra implícita da sociedade feminina que me escapou, só a aprendi já no final da adolescência e acho que ninguém sabe de onde veio. Como a compra do bikini é o ponto alto da minha autocomiseração, fico por ter o mínimo aceitável, que são os tais dois ou três.

Para quem é como eu e, além de odiar este momento, sofre sempre valente golpe na autoestima durante a compra (esteja o corpo como estiver), seguem os meus truques para minimizar o filme de terror:

  1. Atrasar o mais possível a compra. Sim, eu sei que quanto mais tarde, menos escolha existe, mas sempre há algum bronze. Tudo fica um pouco melhor num corpo menos pálido.
  2. Minimizar a prova: comece por experimentar a peça que é mais difícil. Deste modo consegue logo pôr de parte em poucos segundos, aqueles que ficam horríveis. É a técnica do “deixa lá ver… hum… justo nas pernas … ok, sai um pneu de lado. FORA!”. Assim, só quando fica bem na zona mais difícil é que experimenta a outra parte que habitualmente não é problema. Aproveito para deixar um desejo de muita força para quem tem “problemas” com ambas as partes do bikini. Estou convosco!
  3. Fazer por conseguir apanhar o provador maior. Quanto mais pequeno, mais próximo o nosso corpo-copo-de-leite está do espelho e todas sabemos o que isso significa. Se for preciso, acelere o passo em direção aos provadores se vir que há concorrência a caminhar para lá do outro lado da loja. Não, não estou a brincar!
  4. Não inventar. Se já sabe que o que lhe fica bem é o bikini, não se ponha a experimentar fatos de banho só porque está na moda e vice-versa. Corre o risco de ter aquele momento de “ah que horror!” desnecessário. Há certos modelos que só ficam bem em certos corpos e corre o risco de ver o seu, que de certeza está muito melhor do que a imagem que o provador devolve, numa nova e má perspetiva, desnecessária e irrealista!
  5. Não desesperar. Porquê? Desespero pode levar a 3 cenários: comprar um bikini qualquer (que leva a arrependimento), não comprar nada e gastar dinheiro noutra peça de roupa que não precisa, mas fá-la sentir-se bem outra vez (e que só leva a arrependimento quando conta ao namorado/marido e ele ralha pelo gasto de dinheiro desnecessário) e, por fim, não comprar nada e ir comer um bolo ou gelado para compensar da tristeza (não preciso comentar, certo?).
  6. NÃO FAZER ESTA COMPRA COM NAMORADOS OU MARIDOS. Para eles, tudo fica bem, é tudo giro e o primeiro era o perfeito. É tudo mentira! Eles só querem ir para casa.

Acima de tudo, não esquecer dois pontos importantes: após 1 ou 2 dias de praia, já com aquela cor que passa de branca a normal-amorenada, tudo fica muito melhor; e qualquer corpo merece um bom verão, sem complexos, tristezas e manias! Até porque, quando estamos todos na praia, ninguém liga ao vizinho! Todos queremos é um pedaço de areia, um mergulho de mar e uma bola de Berlim!

C.

Nue Chanthavongsay

“Xô” da minha cozinha!

Costuma dizer-se que a conversa ainda não chegou à cozinha. Pois bem, na minha cozinha parece que a conversa não sai de lá. Acredito que haja muitos chefs caseiros por aí que sofrem do mesmo mal: uma invasão incontrolada das nossas cozinhas! Sejam familiares ou amigos, desenvolvi uma teoria de que todos sofrem da mesma síndrome – “cozinho-dependentes”.

Um verdadeiro chef de colher de pau (grupo no qual eu orgulhosamente me auto incluo!) gosta da sua bancada livre de pessoas encostadas e que a sua cozinha não seja um entra e sai constante. O pior de tudo é que já sabe de cor todas as etapas pelas quais os “cozinho-dependentes” passam e mesmo assim nunca consegue arranjar estratégias devidamente eficazes para a próxima reunião em sua casa.

Comecemos pelo início. Tenho imenso prazer em receber e em estar de volta dos tachos e das panelas a preparar uma refeição deliciosa para os meus convidados. Gosto mesmo do ritual de pensar em receitas diferentes, ir às compras prévia e calmamente com uma lista bem organizada (mas mesmo assim falta sempre qualquer coisa – um caso a estudar!), preparar a cozinha para ter tudo à mão, por o avental, uma boa música e… mãos à obra. Tendencialmente, expulso os habituais residentes para a sala, fecho a porta da cozinha e dou início a um assassinato do reportório musical que sai da coluna. Ninguém disse que quem cozinha bem também tem que saber cantar bem!

Como a curiosidade alheia reina lá por casa, rapidamente tenho alguém a abrir a porta a perguntar “Cheira bem! O que é que estás a fazer?” e a baixar-me o volume da coluna para que se faça ouvir. E aqui está a primeira etapa da síndrome “cozinho-dependentes”: seja na sua própria casa seja em casa de terceiros, o cheiro que vem da cozinha torna-se hipnótico e leva-os sempre aquela divisão da casa. E enquanto procuram satisfazer a curiosidade das suas narinas, põem-se atrás de nós a dificultar o acesso ao fogão, ao frigorífico e à despensa.

Segunda expulsão. Voltar a pôr o volume de forma a evitar partir os cristais da vizinha. Pronta a continuar e eis que toca a porta com o primeiro convidado que resolveu vir mais cedo para ajudar (o que normalmente nunca acontece!). Em primeiro lugar, na minha cozinha mando eu e, em segundo lugar, na minha cozinha mando eu.

O convidado bem-intencionado dá início à segunda etapa da síndrome, entra para me cumprimentar e senta-se por lá para me fazer companhia. Educadamente ofereço algo para beber e convido-o a ir para a sala onde ficará mais confortável mas a oferta é sempre recusada. Nesta fase do campeonato, já não há música e começam as distrações com a conversa.

Apesar de ter as coisas adiantadas, é inevitável ter que se preparar algumas coisas na hora mas começo a ir à sala para mobilizar a malta comigo e ver se os sofás apelam à estadia. Nisto, começam a chegar os restantes convidados que, ao verem-me ainda de volta da comida, desencadeiam a terceira etapa: vão à cozinha com a desculpa de ir buscar copos mas não saem de lá e ainda trazem as entradas da sala para a mesa da cozinha. E num instante o meu espaço sagrado já o era. Mal me consigo mexer e rezo a todos os santinhos para nada pegue.

A última etapa de quem sofre da “cozinho-dependência” costuma estar associada a paralisia, loucura e amnésia temporária o que é deveras preocupante! Ouvem um “Xô da minha cozinha” mas ficam muito sérios a olhar para mim, não se mexem, riem-se e continuam por ali nos seus comes e bebes. Agora sim, quem precisa de beber qualquer coisa sou eu!

T.